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O Custo do Caos: Por que a Guerra e o Diesel Estão Asfixiando o Agronegócio Brasileiro

Agata Turini · 4 set 2026 · 5 min de leitura
O Custo do Caos: Por que a Guerra e o Diesel Estão Asfixiando o Agronegócio Brasileiro
Artigos · Turini

O mundo está em sobressalto. E se você está no mercado, já percebeu: a volatilidade não é mais a exceção, é a regra do jogo. Enquanto a geopolítica ferve no Oriente Médio, o impacto real não fica restrito aos discursos bonitos em gabinetes diplomáticos — ele bate direto na porta, e no bolso, do produtor rural brasileiro. E a conta, como sempre, chega pesada.

Vamos falar a verdade: o maior problema do agricultor hoje não é o clima ou a safra. É a instabilidade crônica dos mercados e o custo logístico que ameaça engolir qualquer margem de lucro. Em momentos de guerra, o frete simplesmente explode.

Vimos isso acontecer durante a invasão da Ucrânia, quando tivemos uma verdadeira explosão nos preços dos grãos e dos fertilizantes. Agora, o cenário se repete, mas com novos atores e riscos ainda maiores para as nossas commodities.

Para entender a gravidade da situação, olhe para os números. O Oriente Médio não é só um ponto de conflito no mapa; é um parceiro comercial estratégico do Brasil. Sabia que 22% de todo o milho que exportamos vai direto para o Irã 2 ? Além disso, a região é um destino crucial para as nossas aves (absorvendo cerca de 30% das exportações brasileiras de frango) e o nosso açúcar 3. Qualquer interrupção nessas rotas ou novas sanções deixam o agricultor brasileiro em uma posição extremamente desconfortável e vulnerável.

Lá fora, vemos Trump tentando vender o “fihal da guerra” todos os dias, numa tentativa clara de acalmar os mercados. Mas a realidade é teimosa. O prolongamento desse conflito tem um potencial devastador para impactar não apenas grãos, mas carnes e todas as principais commodities que sustentam a nossa balança comercial.

E como se o cenário externo já não fosse um campo minado, temos uma crise interna se desenhando nas bombas de combustível. O Brasil importa cerca de 30% de todo o diesel que consome. Com o petróleo Brent nas alturas e o frete marítimo explodindo, a matemática básica diz que o custo interno deveria refletir essa realidade global.

Mas o que vemos? A Petrobras se recusando a equalizar os preços no Brasil com o mercado internacional. A estatal nega qualquer redução no fornecimento de combustíveis, mas a tensão no setor de distribuição é palpável. O sindicato dos postos de combustíveis já está pedindo a realização de leilões — previstos para o dia 16 de abril – sob um argumento irrefutável e doloroso: é melhor pagar mais caro do que simplesmente não ter combustível na hora da colheita.

O agronegócio não pode parar. Máquinas paradas por falta de diesel significam perda de safra, quebra de contratos e prejuízos bilionários. A tentativa de segurar preços artificialmente, ignorando a defasagem em relação ao mercado externo, cria uma falsa sensação de estabilidade que vai cobrar um preço altíssimo no curto prazo.

O produtor rural brasileiro é, por natureza, um gestor de riscos. Mas quando a geopolítica internacional se choca com a política de preços interna, o nível de incerteza ultrapassa o aceitável. Precisamos de clareza, pragmatismo e ações concretas para garantir que o motor da nossa economia não fique sem combustível no meio do caminho. O agro sustenta o Brasil, mas não vai carregar sozinho o peso da ineficiência e do caos global.

Referências

[1] CNN Brasil. (2026). Frete marítimo sobe com guerra no Oriente Médio e pressiona custos do agro.

(2] Canal Rural. (2026 ). Exportação de milho do Brasil para o Irã cresceu 280% em cinco anos.

[3] UOL / Agência Estado. (2026). Datagro: guerra expõe vulnerabilidade de milho, açúcar e carnes do Brasil.

[4] CNN Brasil. (2026). Petrobras precisa atualizar os preços dos combustíveis, diz Abicom.

[5] Broto Notícias. (2026). Entenda os impactos do diesel no agronegócio em março de 2026.

[6] Nova Cana. (2026). Solução para oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor.

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