E32 foi só o aquecimento. O Brasil precisa acelerar para o E35 e o B17.
Por Agatha Turini
O Brasil acaba de dar mais um passo importante na construção de uma matriz energética mais limpa, competitiva e estratégica. Com a aprovação do E32, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%, consolidando mais um avanço na política nacional de biocombustíveis.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a medida permitirá reduzir a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, fortalecendo a segurança energética do país, reduzindo a exposição às oscilações do mercado internacional e ampliando a utilização de um combustível produzido em território nacional.
Esse resultado merece ser comemorado. Mas, na minha visão, ele também nos convida a fazer uma reflexão muito mais ampla: o Brasil está avançando na velocidade que o seu potencial permite?
Acredito que não.
Quando observamos a posição que o país ocupa no cenário mundial da bioenergia, percebemos que possuímos ativos que poucas nações conseguem reunir simultaneamente. Temos uma agroindústria altamente competitiva, domínio tecnológico, infraestrutura consolidada, centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente e uma cadeia produtiva capaz de responder rapidamente ao aumento da demanda.
Mais do que isso, temos décadas de experiência utilizando combustíveis renováveis em larga escala.
Enquanto diversas economias ainda investem bilhões de dólares para encontrar soluções capazes de reduzir as emissões do setor de transportes, o Brasil já possui uma alternativa madura, eficiente e reconhecida mundialmente.
É justamente por isso que acredito que o E32 não deve ser encarado como um ponto de chegada, mas como o primeiro passo de uma agenda ainda mais ambiciosa.
O próximo passo já tem nome: E35
O debate sobre o E35 deixou de ser uma hipótese distante.
Hoje, ele representa uma evolução natural da política brasileira de biocombustíveis.
O próprio Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a realização de estudos técnicos para avaliar a ampliação da mistura de etanol na gasolina, reforçando que o país possui condições de analisar percentuais superiores com responsabilidade técnica e segurança operacional.
Essa discussão vai muito além do combustível que chega ao tanque dos veículos.
Ela representa uma oportunidade de fortalecer toda uma cadeia produtiva responsável por movimentar bilhões de reais todos os anos, gerar empregos, estimular investimentos e ampliar a competitividade da indústria brasileira.
Ao elevar gradualmente a participação do etanol, o Brasil reduz sua dependência de combustíveis fósseis importados, fortalece sua balança comercial e amplia a utilização de um produto cuja produção gera desenvolvimento econômico em diferentes regiões do país.
Além disso, o avanço beneficia tanto o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar quanto o etanol de milho, segmento que vem apresentando um crescimento expressivo, especialmente no Centro-Oeste brasileiro.
Nos últimos anos, novos investimentos transformaram o etanol de cereais em uma importante fronteira de expansão da bioenergia nacional, diversificando a produção, aumentando a oferta e fortalecendo ainda mais a segurança energética do país.
Esse movimento demonstra que a indústria já respondeu ao desafio.
Agora, é o ambiente regulatório que precisa acompanhar essa evolução.
Enquanto celebramos o E32, o biodiesel continua esperando
Se o etanol avançou, ainda que de forma gradual, o mesmo não pode ser dito sobre o biodiesel.
A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) estabeleceu um cronograma claro para ampliar progressivamente a participação do biodiesel até atingir 20% de mistura (B20) em 2030.
Entretanto, a evolução prevista para este ano acabou sendo adiada, gerando preocupação em toda a cadeia produtiva.
Esse adiamento representa muito mais do que uma alteração de calendário.
Ele posterga investimentos, reduz previsibilidade para a indústria e adia benefícios econômicos, ambientais e estratégicos que poderiam estar sendo incorporados à economia brasileira.
É justamente por isso que diversas entidades defendem que o país avance diretamente para o B17.
Não se trata apenas de aumentar um percentual de mistura.
Trata-se de aproveitar uma capacidade industrial que já existe e que está pronta para produzir mais.
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, o Brasil importa atualmente cerca de 17 bilhões de litros de diesel por ano, volume equivalente a aproximadamente 25% do consumo nacional.
Ao mesmo tempo, a indústria brasileira de biodiesel opera com cerca de 50% de capacidade ociosa.
Poucos dados traduzem tão claramente o tamanho da oportunidade que temos diante de nós.
Importamos um combustível fóssil enquanto mantemos parte da nossa capacidade instalada sem utilização plena.
Essa equação merece ser repensada.
Mais biodiesel significa menor dependência externa, maior utilização da produção nacional, geração de empregos, fortalecimento do agronegócio e ampliação da segurança energética brasileira.
O Brasil acaba de dar mais um passo importante na construção de uma matriz energética mais limpa, competitiva e estratégica. Com a aprovação do E32, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%, consolidando mais um avanço na política nacional de biocombustíveis.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a medida permitirá reduzir a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, fortalecendo a segurança energética do país, reduzindo a exposição às oscilações do mercado internacional e ampliando a utilização de um combustível produzido em território nacional.
Esse resultado merece ser comemorado. Mas, na minha visão, ele também nos convida a fazer uma reflexão muito mais ampla: o Brasil está avançando na velocidade que o seu potencial permite?
Acredito que não.
Quando observamos a posição que o país ocupa no cenário mundial da bioenergia, percebemos que possuímos ativos que poucas nações conseguem reunir simultaneamente. Temos uma agroindústria altamente competitiva, domínio tecnológico, infraestrutura consolidada, centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente e uma cadeia produtiva capaz de responder rapidamente ao aumento da demanda.
Mais do que isso, temos décadas de experiência utilizando combustíveis renováveis em larga escala.
Enquanto diversas economias ainda investem bilhões de dólares para encontrar soluções capazes de reduzir as emissões do setor de transportes, o Brasil já possui uma alternativa madura, eficiente e reconhecida mundialmente.
É justamente por isso que acredito que o E32 não deve ser encarado como um ponto de chegada, mas como o primeiro passo de uma agenda ainda mais ambiciosa.
O próximo passo já tem nome: E35
O debate sobre o E35 deixou de ser uma hipótese distante.
Hoje, ele representa uma evolução natural da política brasileira de biocombustíveis.
O próprio Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a realização de estudos técnicos para avaliar a ampliação da mistura de etanol na gasolina, reforçando que o país possui condições de analisar percentuais superiores com responsabilidade técnica e segurança operacional.
Essa discussão vai muito além do combustível que chega ao tanque dos veículos.
Ela representa uma oportunidade de fortalecer toda uma cadeia produtiva responsável por movimentar bilhões de reais todos os anos, gerar empregos, estimular investimentos e ampliar a competitividade da indústria brasileira.
Ao elevar gradualmente a participação do etanol, o Brasil reduz sua dependência de combustíveis fósseis importados, fortalece sua balança comercial e amplia a utilização de um produto cuja produção gera desenvolvimento econômico em diferentes regiões do país.
Além disso, o avanço beneficia tanto o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar quanto o etanol de milho, segmento que vem apresentando um crescimento expressivo, especialmente no Centro-Oeste brasileiro.
Nos últimos anos, novos investimentos transformaram o etanol de cereais em uma importante fronteira de expansão da bioenergia nacional, diversificando a produção, aumentando a oferta e fortalecendo ainda mais a segurança energética do país.
Esse movimento demonstra que a indústria já respondeu ao desafio.
Agora, é o ambiente regulatório que precisa acompanhar essa evolução.
Enquanto celebramos o E32, o biodiesel continua esperando
Se o etanol avançou, ainda que de forma gradual, o mesmo não pode ser dito sobre o biodiesel.
A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) estabeleceu um cronograma claro para ampliar progressivamente a participação do biodiesel até atingir 20% de mistura (B20) em 2030.
Entretanto, a evolução prevista para este ano acabou sendo adiada, gerando preocupação em toda a cadeia produtiva.
Esse adiamento representa muito mais do que uma alteração de calendário.
Ele posterga investimentos, reduz previsibilidade para a indústria e adia benefícios econômicos, ambientais e estratégicos que poderiam estar sendo incorporados à economia brasileira.
É justamente por isso que diversas entidades defendem que o país avance diretamente para o B17.
Não se trata apenas de aumentar um percentual de mistura.
Trata-se de aproveitar uma capacidade industrial que já existe e que está pronta para produzir mais.
Segundo Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, o Brasil importa atualmente cerca de 17 bilhões de litros de diesel por ano, volume equivalente a aproximadamente 25% do consumo nacional.
Ao mesmo tempo, a indústria brasileira de biodiesel opera com cerca de 50% de capacidade ociosa.
Poucos dados traduzem tão claramente o tamanho da oportunidade que temos diante de nós.
Importamos um combustível fóssil enquanto mantemos parte da nossa capacidade instalada sem utilização plena.
Essa equação merece ser repensada.
Mais biodiesel significa menor dependência externa, maior utilização da produção nacional, geração de empregos, fortalecimento do agronegócio e ampliação da segurança energética brasileira.
A bioenergia deixou de ser apenas uma pauta ambiental
Durante muito tempo, a discussão sobre biocombustíveis esteve concentrada na redução das emissões de carbono. Esse aspecto continua sendo fundamental, mas hoje a bioenergia representa algo ainda maior: uma estratégia de desenvolvimento econômico, competitividade industrial e segurança energética.
Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica, oscilações no preço do petróleo e busca crescente por fontes renováveis, os países que conseguirem produzir energia limpa em escala terão uma vantagem competitiva significativa.
O Brasil já faz parte desse grupo.
Segundo a Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), a cadeia do biodiesel movimenta mais de R$ 9 bilhões em investimentos, gera aproximadamente 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos e pode reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa quando comparada ao diesel mineral, considerando o ciclo de vida do combustível.
Esses números demonstram que estamos diante de um setor que já entrega resultados concretos para a economia, para a indústria e para o meio ambiente.
Da mesma forma, a ampliação da participação do etanol fortalece um mercado que há décadas posiciona o Brasil como referência mundial em combustíveis renováveis.
A oportunidade não está apenas no campo. Está na indústria.
Quando falamos em biocombustíveis, muitas pessoas pensam imediatamente na produção agrícola.
Mas essa cadeia vai muito além da lavoura.
Ela movimenta fabricantes de equipamentos, empresas de automação, engenharia, tecnologia, logística, laboratórios, universidades, centros de pesquisa e milhares de fornecedores que impulsionam a inovação em todo o país.
Cada novo investimento em bioenergia representa novas plantas industriais, modernização de processos, desenvolvimento tecnológico e aumento da produtividade.
É justamente essa conexão entre agro, indústria e inovação que torna o setor sucroenergético um dos mais estratégicos da economia brasileira.
Na Fertron, acompanhamos diariamente essa evolução. Vemos de perto como a transformação digital, a automação industrial e a inovação tecnológica estão elevando os níveis de eficiência das usinas e preparando o setor para uma nova etapa de crescimento.
Por isso, discutir E35 e B17 não significa falar apenas de combustíveis.
Significa discutir o futuro da indústria brasileira.
O Brasil reúne condições que poucos países possuem
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), aproximadamente 50% da matriz energética brasileira é composta por fontes renováveis, enquanto a média mundial permanece próxima de 15%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA).
Essa diferença demonstra que o Brasil não está apenas acompanhando a transição energética.
Em diversos aspectos, já ocupa uma posição de liderança.
Poucos países conseguem reunir disponibilidade de terra, produtividade agrícola, conhecimento técnico, infraestrutura industrial, capacidade logística e experiência consolidada na produção de combustíveis renováveis.
Essa combinação faz do Brasil um dos protagonistas naturais da economia de baixo carbono.
Mas liderança não se sustenta apenas pelo potencial.
Ela depende da capacidade de tomar decisões no momento certo.
O momento exige coragem para avançar
O deputado federal Arnaldo Jardim, relator da Lei do Combustível do Futuro, tem defendido que o Brasil continue ampliando sua política de biocombustíveis de forma responsável, baseada em critérios técnicos e na capacidade instalada da indústria nacional.
Essa visão encontra respaldo em diferentes segmentos do setor.
A indústria está preparada.
A tecnologia existe.
Os investimentos continuam acontecendo.
A demanda mundial por energia renovável cresce ano após ano.
Talvez o maior desafio agora não seja tecnológico.
Seja regulatório.
Porque, quando o ambiente institucional acompanha a velocidade da inovação, o desenvolvimento acontece de forma muito mais rápida.
O futuro da energia será liderado por quem agir primeiro
Ao longo da história, o Brasil demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de transformar desafios em oportunidades.
Foi assim com o etanol.
Foi assim com o biodiesel.
E pode ser assim, novamente, na próxima fase da transição energética.
A aprovação do E32 mostra que estamos caminhando na direção correta.
Mas não podemos confundir direção com velocidade.
O mundo está acelerando seus investimentos em combustíveis sustentáveis, novas tecnologias e soluções de baixo carbono. Permanecer apenas acompanhando esse movimento significa abrir espaço para que outros países ocupem posições que naturalmente poderiam ser nossas.
Na minha visão, acelerar os estudos para o E35 e criar as condições para o avanço do B17 não representa apenas uma agenda do setor de biocombustíveis.
Representa uma estratégia nacional.
Uma estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, fortalecer a indústria brasileira, gerar empregos qualificados, estimular novos investimentos, ampliar a competitividade do agronegócio e consolidar o Brasil como protagonista da economia global de baixo carbono.
Temos conhecimento.
Temos tecnologia.
Temos capacidade produtiva.
Temos uma das cadeias de bioenergia mais eficientes do planeta.
O que definirá o nosso protagonismo daqui para frente não será a capacidade de produzir.
Será a capacidade de decidir.
Porque o futuro da energia não será escrito por quem esperar.
Será liderado por quem tiver coragem de acelerar.


