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Fenasucro 2026: os movimentos que apontam para o futuro da bioenergia

Agata Turini · 4 set 2026 · 5 min de leitura
Fenasucro 2026: os movimentos que apontam para o futuro da bioenergia
Artigos · Turini

Negócios, tecnologia e novas frentes para os biocombustíveis marcaram quatro dias de debates e conexões em Sertãozinho

A 32ª Fenasucro & Agrocana terminou com um número que ajuda a dimensionar o momento da cadeia: R$ 14,1 bilhões em negócios iniciados entre 11 e 14 de agosto. Depois de quatro dias em Sertãozinho, porém, o que mais me chamou a atenção foi a direção das conversas.

Eficiência, automação, descarbonização e novos mercados apareceram em diferentes agendas. São temas que se encontram em uma questão central para o setor: como tornar a indústria brasileira mais competitiva e preparada para as oportunidades que a bioenergia vem abrindo?

Fertron: tecnologia que encontra o mercado

A FERTRON participa da Fenasucro desde a primeira edição, e estar ali é também uma forma de acompanhar de perto as mudanças da indústria sucroenergética. Neste ano, mais de mil pessoas passaram pelo nosso estande, e encerramos a agenda com expectativa de avanço de aproximadamente 30% em novos negócios.

Um dos destaques foi o lançamento do FRT-Scan3D, tecnologia desenvolvida para medir nível, volume e peso de materiais armazenados em silos e pátios. A solução responde a um desafio muito concreto das operações: transformar informações mais precisas em controle, eficiência e decisões melhores.

Também tivemos a oportunidade de apresentar a novidade em entrevista ao Jornal da Clube. Gosto desses espaços porque ajudam a traduzir a tecnologia e a mostrar como automação, dados e eficiência já fazem parte da estratégia das empresas.

Encontros que ampliaram a conversa

A Fenasucro concentra, em poucos dias, profissionais e lideranças que atuam em diferentes pontos da cadeia. No primeiro dia, recebemos no estande da Fertron, entre outras autoridades, o governador de São Paulo, Tarcisio Freitas, durante sua passagem pelo evento.

Também conversei com Augusto Cury sobre agronegócio, investimentos, os desafios de quem produz e as transformações em curso na agricultura, na indústria e na bioenergia. São trocas com perspectivas diferentes, mas que ajudam a ampliar o olhar sobre uma atividade cada vez mais conectada a tecnologia, gestão, pessoas e competitividade.

“Gigantes do Brasil”: a indústria vista por dentro

O segundo dia marcou o lançamento do programa audiovisual “Gigantes do Brasil”. A proposta é entrar nas empresas, ouvir quem está à frente das decisões e mostrar, de forma próxima, como grandes operações são construídas na prática.

Um dos conteúdos foi gravado em Lapa, no Paraná, onde conheci o complexo industrial do Grupo Potencial. Conversei com Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de Relações Institucionais do grupo, sobre tecnologia, eficiência, inovação e uma trajetória que começou no setor de combustíveis em 1954 e avançou até uma operação voltada à bioenergia.

É esse olhar que quero levar ao programa: mostrar a indústria por dentro, suas escolhas e as pessoas que conduzem essas transformações. O “Gigantes do Brasil” vai ao ar mensalmente, na Jovem Pan News Ribeirão Preto, 107,5 FM.

Biocombustíveis no mar: uma nova fronteira

Outro momento importante foi mediar o painel “Biobunkers: oportunidades para as bioenergias”, ao lado de Henrique Araújo, da Copersucar; Mario Stenico, da Inpasa Brasil; e Carlos A. M. Marçal, da Petrobras.

A conversa passou por etanol, infraestrutura, logística, rastreabilidade e pelo potencial dos combustíveis de baixo carbono no transporte marítimo. Uma pergunta ficou no centro do debate: quanto dessa nova demanda global o Brasil conseguirá capturar?

Temos matéria-prima, capacidade produtiva, tecnologia e uma indústria estruturada. Transformar essas vantagens em mercado, no entanto, exige escala, competitividade, infraestrutura e conexão com as exigências internacionais.

Os primeiros movimentos já estão acontecendo. O etanol começa a aparecer como alternativa para a navegação e pode abrir uma nova frente para uma cadeia na qual o Brasil acumulou conhecimento e capacidade de produção ao longo de décadas.

O que ficou desta Fenasucro

Se eu tivesse que resumir esta edição, diria que ela mostrou uma indústria em movimento. A pauta já não é apenas produzir mais: passa por produzir melhor, usar dados, automatizar processos, reduzir emissões e encontrar novos destinos para a bioenergia.

Foi isso que vi nas conversas no estande da Fertron, nas entrevistas, no painel e nos encontros ao longo dos quatro dias. Saio de Sertãozinho com uma percepção clara: o Brasil tem ativos importantes nessa transformação, e o próximo passo é converter esse potencial em escala, negócios e presença internacional.

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