Mercado
ARROZR$ 59,03 AÇÚCARR$ 97,41▲ 404,2% BEZERROR$ 3.402 BOI GORDOR$ 346,50▼ -2,0% CAFÉ ARÁBICAR$ 1.771▲ 612,1% ETANOLR$ 2,85 MILHOR$ 66,15▲ 2,6% SOJAR$ 146,34▲ 12,7% USD/BRLR$ 5,0979▼ -0,5% SELIC14,00% a.a. ARROZR$ 59,03 AÇÚCARR$ 97,41▲ 404,2% BEZERROR$ 3.402 BOI GORDOR$ 346,50▼ -2,0% CAFÉ ARÁBICAR$ 1.771▲ 612,1% ETANOLR$ 2,85 MILHOR$ 66,15▲ 2,6% SOJAR$ 146,34▲ 12,7% USD/BRLR$ 5,0979▼ -0,5% SELIC14,00% a.a.
ÁGATA TURINI
Radar Partners
← Voltar para a capa Artigos

O agro continua forte. Mas o jogo ficou mais sofisticado.

Agata Turini · 4 set 2026 · 5 min de leitura
O agro continua forte. Mas o jogo ficou mais sofisticado.
Artigos · Turini

O agronegócio brasileiro vive um momento em que produzir bem já não é suficiente. Hoje, a competitividade depende da capacidade de compreender todo o sistema que envolve a atividade: crédito, tributação, bioenergia, geopolítica e gestão caminham juntos e influenciam diretamente os resultados do setor.

Os acontecimentos desta semana reforçam exatamente essa mudança de cenário.

Crédito rural: mais do que acesso a recursos, uma decisão estratégica

O anúncio do Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento do setor, confirma a importância do agro para a economia brasileira. Mas, mais do que o volume de recursos, o que realmente faz diferença é a forma como esse capital será utilizado.

Em um ambiente de juros ainda elevados, crédito deixa de representar apenas apoio financeiro e passa a ser uma ferramenta de gestão.

As empresas mais competitivas serão aquelas capazes de transformar financiamento em produtividade, eficiência operacional e maior rentabilidade.

Isso exige:

  • planejamento financeiro;
  • investimentos com foco em retorno;
  • integração entre decisões operacionais e estratégicas.

O crédito continua sendo essencial, mas a gestão do crédito será o verdadeiro diferencial.

Etanol de milho: bioenergia ganha protagonismo

O crescimento acelerado do etanol de milho mostra que a bioenergia deixou de ocupar um espaço secundário para se tornar um dos pilares da transformação do agronegócio.

A expansão das biorrefinarias, principalmente no Centro-Oeste, cria uma nova dinâmica econômica, gerando oportunidades muito além da produção de combustível.

Entre os principais impactos estão:

  • maior integração entre os mercados de grãos, energia e proteína animal;
  • valorização de coprodutos como DDG, óleo de milho e CO₂;
  • fortalecimento da economia regional e da infraestrutura logística.

O debate deixa de ser apenas sobre volume produzido e passa a considerar geração de valor, eficiência industrial e posicionamento estratégico.

Reforma tributária: um novo momento para a gestão do agro

Outro tema que ganhou força nesta semana foi a reforma tributária.

Embora sua implementação aconteça de forma gradual, seus efeitos já começam a exigir mudanças importantes na forma como produtores e empresas administram seus negócios.

O novo modelo reforça a necessidade de:

  • profissionalizar a gestão tributária;
  • revisar estruturas societárias;
  • integrar planejamento fiscal, formação de preços e fluxo de caixa.

Mais do que uma obrigação legal, a tributação passa a fazer parte da estratégia financeira das empresas.

Quem compreender esse movimento mais cedo tende a reduzir riscos e preservar competitividade ao longo dos próximos anos.

Geopolítica: o mercado internacional influencia cada vez mais o agro

O agronegócio brasileiro sempre esteve conectado ao mercado global pela demanda.

Agora, também depende diretamente do cenário internacional para seus custos e margens.

Oscilações no petróleo, mercado de fertilizantes, políticas ambientais, comércio exterior e conflitos geopolíticos afetam diariamente:

  • custos de produção;
  • logística;
  • competitividade dos biocombustíveis;
  • oportunidades de exportação.

A gestão de risco passa, necessariamente, por acompanhar o cenário internacional.

Hoje, decisões tomadas em outros continentes podem influenciar diretamente o resultado da próxima safra.

O novo diferencial competitivo

Ao conectar crédito, bioenergia, tributação e geopolítica, fica evidente que o diferencial competitivo do agro brasileiro está mudando.

Escala e produtividade continuam fundamentais, mas já não bastam sozinhas.

As empresas que liderarão a próxima fase do setor terão três características em comum:

  • Visão sistêmica: entendem que o agro está conectado à energia, indústria, finanças e regulação.
  • Disciplina de gestão: tratam caixa, riscos e governança com a mesma importância dada à produção.
  • Capacidade de adaptação: respondem rapidamente às mudanças tecnológicas, tributárias e econômicas.

Conclusão

O agronegócio brasileiro segue como protagonista mundial, mas o ambiente de negócios se tornou muito mais complexo.

Competitividade não depende apenas do que acontece dentro da porteira. Ela também é construída nas decisões financeiras, na leitura do cenário global, no planejamento tributário e na capacidade de antecipar movimentos do mercado.

O principal recado desta semana é claro: não basta produzir mais. É preciso compreender melhor o sistema em que se produz.

Porque, no agro de hoje, estratégia também é produtividade.

Widget JP Ao Vivo
AO VIVO