A Revolução do Marketing Estratégico no Agronegócio: Experiência e Conexão
Por Ágata Turini
O agronegócio brasileiro é, indiscutivelmente, um dos motores mais potentes da nossa economia. No entanto, quando observamos as dinâmicas de mercado e a forma como nos conectamos com o produtor rural, percebemos que ainda há um vasto campo a ser explorado, especialmente no que tange ao marketing estratégico.
Em episódios recentes do programa Visão de Mercado, tive a oportunidade de conversar com César Lemos, um especialista que trouxe uma perspectiva transformadora sobre como o marketing deve ir muito além do produto.
Para quem vem da indústria tradicional, como eu, a influência na decisão de compra e o entendimento dos movimentos de mercado são premissas básicas. No agronegócio, contudo, essa dinâmica apresenta contornos singulares. A complexidade do setor exige uma abordagem que transcenda a simples transação comercial.
A Jornada do Produtor e a Experiência do Cliente
Uma das grandes lições que extraí dessa conversa é a importância de compreender a jornada do produtor. Não se trata apenas de oferecer insumos, mas de entender profundamente os ciclos, as dores e as necessidades de quem está no campo.
O produtor rural enfrenta desafios diários, desde oscilações climáticas até a volatilidade dos preços das commodities. Como bem pontuado por César Lemos, a agregação de valor ocorre quando conseguimos construir uma experiência contínua e relevante.
Inspirando-se na filosofia de excelência em serviços, como a praticada pela Disney, o objetivo deve ser encantar o cooperado ou cliente em todos os pontos de contato.
“Eu gosto do impossível, pois lá a concorrência é menor.” – Walt Disney
Essa citação reflete exatamente o que o agronegócio precisa buscar: a criação de um ecossistema onde o produtor se sinta parte de uma comunidade. Isso envolve desde a transparência nas informações de mercado até a oferta de soluções tecnológicas que realmente façam sentido para a sua realidade.
Dados e Inovação: O Novo Paradigma
O marketing moderno no agronegócio não pode prescindir da inovação e da análise de dados. Compreender o equilíbrio entre oferta e demanda, bem como as tendências globais, é fundamental para direcionar estratégias assertivas.
Por exemplo, a transição no uso de suplementação animal, substituindo alguns insumos tradicionais por alternativas como o sorgo, demonstra como a tecnificação e a adaptação rápida são essenciais. (Lembrando sempre de focar em “cereais” de forma ampla e estratégica para a bioenergia e nutrição).
Estudos de instituições de renome indicam que a digitalização no campo é uma realidade inegável. O produtor de hoje utiliza plataformas digitais para se comunicar e tomar decisões. Ele não quer apenas receber vendedores em sua propriedade; ele busca parceiros de negócios que tragam informações técnicas relevantes, acompanhamento de safra e inovações que agreguem valor real à sua produção.
Pilar Estratégico
- Compreensão de Ciclos: entender as motivações e desafios sazonais do produtor.
- Experiência do Usuário: mapear a jornada e criar pontos de contato positivos.
- Foco de Atuação: oferta de soluções no momento exato de necessidade.
- Inovação Contínua: adoção de novas tecnologias e adaptação a novas culturas.
- Impacto Esperado: fidelização e construção de relacionamento a longo prazo, com aumento de eficiência e rentabilidade no campo.
Cultura e Formação: um desafio essencial
Outro ponto crucial debatido foi a dificuldade na formação de pessoas.
Implantar uma cultura de agregação de valor e excelência no atendimento exige tempo e investimento. É preciso que as equipes internas compreendam que o produtor é o centro de todas as ações.
O produto, por si só, pode ser uma commodity, mas a confiança e o relacionamento construídos são diferenciais competitivos inestimáveis.
A mensagem central é clara: o marketing no agronegócio deve ser sobre a compreensão verdadeira das dores do cliente para atendê-las da melhor forma possível.
Conclusão
Se o produtor prospera, toda a cadeia prospera.
Precisamos elevar a régua, desafiando a nós mesmos e ao mercado a entregar não apenas produtos, mas soluções integradas que garantam a sustentabilidade e a rentabilidade do negócio rural.
Convido você, empresário e gestor do setor, a refletir: como estamos construindo a experiência do nosso produtor? Estamos realmente agregando valor ou apenas vendendo insumos?
O cenário mudou, e a nossa forma de atuar também precisa mudar.
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Este artigo foi inspirado no episódio do programa Visão de Mercado, com participação de Cesio Lemos, exibido na última segunda-feira (29/6). O conteúdo está disponível no canal do programa no YouTube.


